Coelho está perdendo pelo: o que pode ser?

Você entra na sala e percebe que o sofá parece ter criado uma pelúcia própria, ou nota que o seu coelho está com umas falhas estranhas no pelo, parecendo que alguém passou uma tesoura descuidada por ali. A primeira reação é o susto, afinal, ver tufos voando ou a pele rosinha aparecendo de repente faz qualquer tutor imaginar o pior.
A perda de pelo em coelhos pode ser apenas o processo natural de troca sazonal de pelagem, conhecido como muda, mas também costuma sinalizar problemas de saúde que exigem atenção, como sarnas, infecções por fungos, dermatites causadas por umidade ou falhas na alimentação. A diferença entre uma simples troca de roupa e um problema de pele sério aparece logo nos detalhes. Quando o coelho está apenas mudando de pelo, a queda costuma ser uniforme. Você passa a mão e saem tufos inteiros, mas a pele por baixo continua limpa, sem feridas, sem vermelhidão e sem cascas grossas. O problema é quando o pelo cai deixando clareiras bem delimitadas, a pele fica descamando, avermelhada ou com feridas. Nesses casos, o organismo do animal está mandando um recado claro de que algo não vai bem.
Quando a culpa é da natureza: a muda sazonal
Imagine trocar um casaco de inverno pesado por uma camiseta leve bem no meio de um calor insuportável. É exatamente isso que o coelho faz algumas vezes por ano. Durante a muda sazonal, o pelo antigo morre e dá lugar a uma pelagem nova. O grande detalhe dessa fase é que o animal parece uma verdadeira árvore de Natal soltando fiapos pela casa inteira, mas a pele dele continua íntegra e saudável.
Existe um detalhe perigoso nessa história toda que muitos tutores ignoram. Como os coelhos são obcecados pela própria limpeza e passam boa parte do dia se lambendo, eles engolem uma quantidade enorme de pelos soltos durante essa troca. Diferente de outros animais, o coelho não tem o reflexo de vomitar. Todo esse pelo precisa atravessar o trato digestivo com a ajuda de muitas fibras. Se o animal não consome feno de capim em abundância todos os dias, esses pelos acumulados no estômago podem formar blocos rígidos conhecidos como tricobezoares. Isso paralisa o sistema digestivo, gerando uma emergência médica grave chamada estase gastrointestinal. A escovação diária com uma rasqueadeira macia durante a muda não serve apenas para manter a casa limpa, mas funciona como uma medida de proteção direta para a saúde digestiva do pet.
Quando a pelagem cai por causa de parasitas e fungos
Se o pelo está caindo e a pele apresenta crostas, feridas ou coceira intensa, o cenário muda de figura. Os parasitas externos adoram se instalar na pele dos lagomorfos. Um exemplo clássico acontece nas orelhas. Se o coelho está perdendo pelo ao redor da cabeça e sacudindo muito as orelhas, o culpado pode ser um ácaro microscópico que se instala no conduto auditivo. Ele provoca uma sarna que gera um acúmulo enorme de cerúmen escuro e crostas grossas. Tentar arrancar essas casquinhas com a unha ou com um algodão seco é um erro grave, pois a pele ali é extremamente fina e sensível, o que causa dor intensa e sangramento profuso.
Outro hóspede indesejado é um ácaro que produz uma descamação parecida com caspa nas costas do animal. Às vezes, parece que há um pozinho esbranquiçado se movendo na pelagem. Além do incômodo para o coelho, esse tipo de parasita pode ser transmitido para os humanos da casa, exigindo tratamento rigoroso em conjunto com o veterinário. As infecções por fungos, conhecidas popularmente como tinha, também aparecem sem pedir licença. Elas costumam desenhar falhas circulares na pele, principalmente na região do focinho e da cabeça, deixando a área avermelhada e seca. Assim como alguns ácaros, esses fungos são contagiosos para as pessoas, o que reforça a necessidade de um diagnóstico preciso.
A umidade que estraga a pele: barbela úmida e queimadura por urina
Outro ponto que costuma causar bastante perda de pelo na região do pescoço é a chamada barbela úmida. Aquela dobrinha de gordura que fica embaixo do queixo de algumas raças acaba acumulando saliva ou água quando o coelho bebe em vasilhas abertas, ou ainda se ele sofre de algum problema dentário que o faça babar demais. A umidade constante amolece a pele, abrindo espaço para bactérias se instalarem. Não é nada incomum que a pele e os poucos fios restantes ganhem um tom esverdeado devido à ação desses invasores. O mesmo vale para a parte de trás do corpo. Se o chão do viveiro acumula xixi e cocô, ou se o pet tem dificuldade para se higienizar por conta da idade avançada ou dos quilinhos a mais, essa umidade irrita a pele da região, provocando queda de pelo e feridas doloridas.
O que nunca fazer ao notar o coelho perdendo pelo
Na pressa de resolver o problema por conta própria, muita gente acaba tomando atitudes que colocam a vida do animal na corda bamba. O erro mais perigoso envolve passar remédios antiparasitários feitos para cães e gatos, como aquelas ampolas de pipeta com fipronil. Enquanto esses produtos funcionam bem para proteger cães, eles agem como um veneno neurotóxico fatal para os coelhos. Ao ser absorvido pela pele ou engolido durante a limpeza natural do corpo, o produto causa convulsões incontroláveis e pode matar o bichinho em poucas horas. Qualquer medicação precisa vir estritamente de uma indicação profissional.
Outro hábito que deve ser riscado da lista é o banho de imersão para tentar limpar sujeiras ou diminuir a queda de pelos. Coelhos entram em pânico absoluto quando mergulhados na água. O choque térmico e o estresse agudo podem desencadear problemas no coração e uma hipotermia fatal. Se o animal sujou uma parte do pelo com lama ou fezes, a limpeza deve ser pontual e seca, aplicando um pouco de amido de milho no local e escovando devagar, ou passando só um algodão úmido na sujeira, sem encharcar o bicho. Secadores de cabelo barulhentos também entram na lista de proibições, pois o susto e o calor forte podem causar paradas cardíacas.
Quando procurar ajuda veterinária urgente
Um coelho que perde pelo mas segue comendo, correndo e fazendo as necessidades precisa de consulta para descobrir o motivo da queda, mas o cenário muda radicalmente quando outros sinais aparecem. Se o seu coelho parou de comer, sumiu com as bolinhas de cocô, fica encolhido no canto ou range os dentes de um jeito barulhento, você tem uma emergência nas mãos. Ranger de dentes nos coelhos é sinal clássico de dor na barriga. Orelhas geladas, prostração total, falta de reação ou sintomas neurológicos como desequilíbrio e cabeça torta pedem atendimento veterinário imediato com um especialista em animais exóticos. Descobrir o problema exige exames clínicos, raspados de pele para caçar ácaros ou fungos e uma boa conversa sobre a rotina diária. Ficar de olho no pet, garantir feno de capim à vontade, manter o espaço limpo e seco e caprichar na escovação são as chaves para o pelo voltar a brilhar e a pele sarar de vez.
